quarta-feira, 12 de junho de 2013

APRENDER COM PRAZER



     “Amai a infância; favorecei seus jogos, seus prazeres, seu amável instinto. Quem de vós não se sentiu saudoso, às vezes, dessa idade em que o riso está sempre nos lábios e a alma sempre em paz. Por que arrancar destes pequenos inocentes o gozo de um tempo tão curto que lhes escapa, de um bem tão precioso de que não se podem abusar?” Rousseau.



O bom ensino garante a aprendizagem e esta por sua vez proporciona o desenvolvimento do indivíduo, qualificando-o. Isto porque, pela apropriação de novas habilidades e competências  o sujeito torna-se apto à superar os desafios que a vida lhe impõe, sejam eles de natureza: afetiva, motora, física, cognitiva ou social. Cada novo conhecimento produz novas habilidades e competências. 

Eis algumas sugestões de jogos que visam o desenvolvimento de conceitos matemáticos, coletados no Google, de fácil confecção e baixo custo. Mãos à obra!!!

Para Piaget, a construção do conceito de número se dá a partir de todos os tipos de relações que a criança estabelece entre os objetos do seu cotidiano. A sistematização deste conceito tem continuidade e se consolida  nos desafios que são propostos aos pequenos.














 

quarta-feira, 29 de maio de 2013

O que é Inclusão???



                                                                                          Excerto e tradução: Andréa S. Dickson


É muito mais do que frequentar uma classe regular. É ser incluído na vida e participar usando sua habilidade no dia a dia como um membro da comunidade. Não só fazer parte da sociedade como todos os outros, mas ser bem-vindo e recebido como um membro. Inclusão pode ocorrer na escola, igreja, parque, trabalho, etc.…


Aluno com Autismo em atividade extra-classe sobre o Trânsito
 

Seres humanos têm necessidades básicas que devem ser atendidas para que possamos nos sentir realizados, tais como as necessidades básicas de: comida, água, moradia, segurança e trabalho dentre outras. Também podemos perceber que se não nos alimentarmos bem, exercitarmos, dormirmos bem isso afetará  nossa saúde e capacidade de funcionamento no nosso dia a dia. Todos nós necessitamos de um propósito, sentido para o que fazemos e o que nos dê uma inspiração. Se nos sentimos inúteis ou fazemos coisas sem importância isso diminui a nossa motivação e a nossa autoestima. Nossas vidas são enriquecidas com os amigos, relacionamentos, amor e quando nos sentimos aceitos por todos. Isso nos enriquece . Sentir-nos sozinhos, alienados poderá ter um impacto negativo em todas as áreas de nossas vidas.

A educação escolar nos ajuda a manter a necessidade de aprender, crescer e não ficarmos parados. Como todas as outras necessidades de nossas vidas, se focalizarmos somente em uma, não encontraremos a qualidade de vida que necessitamos. Quando todas estas necessidades são preenchidas com integridade, cada área reforça a possibilidade de alcançar êxito em outras áreas. Inclusão é preencher todas estas necessidades e maximizar a qualidade de vida de um ser humano.

Na escola a inclusão não ocorre somente como fato de colocar um aluno especial em uma classe regular. Para criar esta realidade inclusiva, ela deve ser bem planejada, ter uma preparação e suporte. Este objetivo de inclusão é realizado só quando uma criança participa das atividades das classes, como um membro daquele grupo, com o suporte de que ele precisa. 

A Inclusão não é somente uma troca de suporte, conquistas e serviços para poder estar em uma classe regular. É importante desenvolver um programa individual que envolta as suas necessidades e habilidades.


O fundamento principal da inclusão escolar é valorizar a diversidade na comunidade. Quando a inclusão for realmente aceita, nós abandonaremos a ideia de que as crianças podem se tornar “normais” para construir suas vidas na comunidade. Nós passaremos a ver maneiras diferentes, não típicas, para ser membros válidos da comunidade. A isso podemos, efetivamente, chamar de INCLUSÃO.




quarta-feira, 22 de maio de 2013

A tecnologia que dá voz ao Autismo


     "As pessoas pensam que sou idiota". "É realmente frustrante não conseguir falar". "Eu me expresso através de comportamentos negativos que ninguém pode entender". Essas são algumas frases de crianças e jovens com autismo, digitadas em aplicativos touch-screen(telas sensíveis ao toque, criado pela HP e Intel) e exibidas no curta-metragem documentário I WANT TO SAY (Eu quero dizer - uma história de esperança e tecnologia), sem legendas em português. Disponível no Youtube. 

         Essa ferramenta (touch-screen) mostra que através o uso de tecnologia adequada, crianças com autismo podem se expressar. Produzindo, para além dessa experiência uma revisão nos conceitos teóricos sobre autismo até aqui construídos.

          No documentário uma mãe fala emocionada após ter visto sua filha com autismo ter utilizado o aplicativo touch-screen para dizer que a amava.

          Nos Estados Unidos existe uma campanha para criar aplicativos sensíveis ao toque denominada Autismo Hacking, que visa facilitar e acelerar ideias de base tecnológica para ajudar a dar às pessoas com autismo a capacidade de expressar sentimentos e ideias, assim como, dá vazão a criatividade. Tal movimento tem se preocupado com a pesquisa e o desenvolvimento de ferramentas de alta tecnologia, capazes de proporcionar a aprendizagem e a inserção social de pessoas com autismo. Sendo possível acessar tais aplicativos gratuitamente. Mais informações acessar http://www.autismspeaks.org/hacking-autism


 


quarta-feira, 3 de abril de 2013

Um olhar sobre a infância



A  percepção do adulto sobre o sujeito criança na perspectiva de Wallon

“Para a criança, só é possível viver sua infância. Conhecê-la compete ao adulto. Contudo, o que irá predominar nesse conhecimento, o ponto de vista do adulto ou o da criança?”. (Wallon)

Alunos da Professora Solange em atividade livre, no pátio da escola.

Toda visão sobre a criança é sempre uma visão do adulto, sobre tudo o que as afeta. O diálogo adulto/criança só será possível se ao invés de colocar respostas em sua boca, o primeiro for capaz de deixar o segundo se manifestar, de forma livre e espontânea.

Historicamente, o homem sempre destacou a si mesmo em seus objetos de conhecimento, atribuindo significado e sentido em função do modo como os fenômenos o afetavam e continuam afetando, nos dias atuais. Deste modo, é de se esperar que um estudo sobre a infância seja sempre um estudo na perspectiva do olhar do adulto sobre a criança, em função de suas expectativas, na razão de que esta se torne semelhante a ele, num futuro próximo, ou atenda a um ideal projetado no presente. Este olhar supõe que na criança possa ser plantado essa semente do devir, como algo previsível.

O processo de conhecimento sobre o sujeito criança se faz, conforme Wallon, através do modo como o homem atribui a este objeto de conhecimento um olhar sobre a infância, na perspectiva do adulto, ou seja, uma visão adultocêntrica.

A visão sobre o ser criança será, portanto, uma interpretação do que se imagina ser a criança, num dado momento de sua vida. Uma interpretação sobre seu modo de pensar, agir, existir e refletir. Será sempre uma visão aproximada, e, possivelmente, distorcida da criança real.

Sobre essa visão adultocêntrica, Wallon em A evolução psicológica da criança, destaca:
“A criança, cujo crescimento ele vigia, guia e a quem muitas vezes lhe parece difícil atribuir motivos ou sentimentos complementares aos seus. Para o seu antropomorfismo espontâneo, quantas oportunidades, quantos pretextos, quantas aparentes justificativas! Sua solicitude é um diálogo em que ele completa as respostas que não obtém mediante um esforço de intuitiva simpatia, em que interpreta os menores indícios, em que acredita poder preencher manifestações lacunares e inconsistentes remetendo-se a um sistema de referências, feito de quê? Dos interesses que ele sabe serem os da criança e em relação aos quais lhe empresta uma consciência mais ou menos obscura, das predestinações cuja promessa gostaria de confirmar nela, dos hábitos, conveniências mentais ou sociais com as quais ele mesmo se identificou em maior ou menor medida, e também das lembranças que imagina ter guardado de sua própria infância. Sabemos, porém, que nossas primeiras lembranças variam com a idade em que são evocadas, e que toda lembrança trabalha em nós sob a influência de nossa evolução psíquica, de nossas disposições e das situações. A menos que esteja solidamente inserida num complexo de circunstâncias objetivamente identificáveis, o que raramente ocorre quando sua origem é infantil, é muito mais provável que uma lembrança seja a imagem do presente e não do passado. É assim, assimilando-a a si, que o adulto pretende penetrar a alma da criança.”(Wallon, 2007)

Nesse sentido, há que se ter muita sensibilidade ao lidar com a criança, cuja imagem está longe de representar uma cópia em miniatura do adulto, embora, sua capacidade de imitá-lo possa levá-lo a essa crença. Para tanto, o estabelecimento de um diálogo e não monólogo; a construção de espaços para a manifestação espontânea e livre das crianças, dotados de estruturas e estímulos, são essenciais para que esta possa dizer o que pensa, sente e deseja, ao mesmo tempo, em que assimila os valores de sua cultura, assim como, os conhecimentos,  historicamente, acumulados. No momento em que sua capacidade de verbalização e maturidade não lhe permite fazê-lo, de outro modo.


terça-feira, 2 de abril de 2013

2 de abril - DIA MUNDIAL DE CONSCIENTIZAÇÃO DO AUTISMO

AZUL
Olho o mar profundo
E para o céu também
Há tanto azul no mundo!
Isso me faz bem
Azul é minha cor
Tenho pensamentos azuis
Pra mim, anjos tem vestimentas azuis
Azul das baleias
Azul da cor dos olhos de alguém
Mas não posso esquecer
Que só me visto de azul também...
Azul, pode variar:
Celeste, marinho, não importa
O que importa é ser azul
A minha cor
A cor que está na minha alma
Tenho uma alma azulzinha
Como meus pensamentos de menina
Que virou mulher
Mas deixa um pezinho na infância
Coberta de azul...

Autora: Fátima Abreu

domingo, 31 de março de 2013

Fui seduzida pelo Autismo



2 DE ABRIL - Dia mundial de conscientização do Autismo 
 
 O movimento em favor das pessoas com autismo, a cada ano, vem tomando força, no Brasil e no mundo, pela insistência e persistência dos propósitos em favor de crianças e jovens que, historicamente, foram mantidos à margem do processo social. Crescem o número de associações movidas por pais, amigos e simpatizantes engajados nesta causa. É maravilhoso perceber a força desse movimento e os espaços que estamos conquistando. Gradativamente, estamos nos libertando dos estígmas e  preconceitos que resultam da falta de conhecimento sobre o assunto. O processo de inclusão, sobretudo, social, não é simples e, muito menos, tranquilo. No entanto, muitas famílias, hoje, sentem-se fortalecidas, pois, já não estão sozinhas nesta luta. É uma luta de todos nós, em prol de uma sociedade mais justa, solidária, fraterna e, efetivamente, democrática. 

Autismo não é doença, e sim um transtorno de natureza neurológica que afeta o comportamento de um modo muito singular. Pessoas com autismo apresentam dificuldades no processo de interação social e comunicação; manifestam um modo particular de perceber o mundo e reagir aos estímulos. Mas, sobretudo, pessoas com autismo, são pessoas, dotadas de personalidade, temperamento e singularidades, como qualquer um de nós. Portanto, não existe um autista igual a outro. Mas, todos, indiscutivelmente, são especialmente cativantes. Prova disso, é que estou aqui para dizer: FUI SEDUZIDA PELO AUTISMO, como pessoa, professora e pedagoga. A minha sala de aula é inclusiva. A minha escola é inclusiva. Porque é assim que deve ser. 

Alunos do Cmei Profa. Dierdre Gama Machado participando de aula-passeio no Bosque da Ciência - Manaus/Am


sábado, 23 de março de 2013

Educação Física e Autismo

Artigo da REVISTA E.F. Nº 41 - SETEMBRO DE 2011http://www.confef.org.br/extra/revistaef/show.asp?id=3965

A prática esportiva e as atividades motoras se apresentam como forma de estimular o desenvolvimento e a socialização de crianças e adolescentes autistas.

Numa academia do Rio de Janeiro, crianças se divertem durante a sessão de ginástica artística do Profissional de Educação Física Rodrigo Brívio (CREF 017431- G/RJ). Esses meninos e meninas, com idades entre três e 15 anos, desviam de cones colocados em cima da trave, saltam em bambolês dispostos no tatame, pulam e cantam na cama elástica. Crianças muito diferentes entre si, mas com um diagnóstico em comum: o autismo.

Tudo começou há quase quatro anos, quando um aluno autista se inscreveu na academia e foi encaminhado a Rodrigo, que já havia trabalhado com Educação Física Especial. “Eu comecei com o Vítor. Aí a mãe dele chamou outra mãe, que chamou outra mãe, que chamou outra...”, conta Brívio, que, a partir desse primeiro aluno, foi recebendo mais outros, vindos por indicação não só de pais, mas também de profissionais da área médica. Só com a propaganda boca-a-boca (“Eu não tenho cartão de visita, nada”), o número de crianças atendidas pulou para 30 – e ainda há uma lista de espera.

As sessões de ginástica artística estimulam o contato físico e fazem com que as crianças desenvolvam sua motricidade e formas de se comunicar, através de palmas ou gestos – algumas até mesmo ensaiam suas primeiras palavras. “Os autistas são muito resistentes ao toque. E o Rodrigo, com essa brincadeira, essa interação, consegue se aproximar e quebrar essa barreira”, conta Marcos Callipo, pai de uma das crianças atendidas pelo profissional. Ele aponta outro ganho que a atividade traz para os praticantes. “No autismo, você tem que, a todo o momento, impor limites. E com essas atividades, o Rodrigo vai aos poucos conseguindo impor esse limite. Em um mês já dá pra ver bastante resultado”, atesta.

A empolgação desses pais com os resultados obtidos pela ginástica artística pode ser conferida pela própria taxa de evasão, próxima a zero. “Perdi apenas um aluno, de três anos e meio pra cá. As crianças não saem daqui. Não saem”, frisa Rodrigo.

Em Alagoas, atividades motoras para autistas

Subindo um pouco no mapa do Brasil, mais especificamente indo para a Universidade Federal de Alagoas, conhecemos outro projeto que usa a Educação Física para desenvolver as potencialidades de crianças e adolescentes autistas e, de quebra, contribuir na formação de profissionais de Educação Física aptos a lidar com indivíduos com autismo. A prof. Chrystiane Toscano (CREF 000444-G/SE) coordena o Projeto de Extensão em Atividades Motoras dirigidas a Crianças e Adolescentes com Autismo (Premaut) que, com apenas dois anos, já realizou um Seminário sobre o tema em abril deste ano. O auditório lotado e a grande participação de profissionais de Educação Física e de Pedagogia mostram que há um grande interesse em saber como trabalhar com esse público.

O Premaut foi criado por Chrystiane em 2009, a partir de uma demanda identificada durante visitas realizadas a instituições que prestam atendimento a esse público. Ela percebeu que esses locais não tinham profissionais de Educação Física dentro da equipe psicoterapêutica e, mesmo quando havia o profissional, este expressava a necessidade de uma formação exclusiva para atender ao público autista. Com esse diagnóstico em mãos e a experiência que já possuía na área, Chrystiane iniciou um grupo e estudos na UFAL que pudesse responder às lacunas do atendimento aos indivíduos com autismo. “Creio que existem, em todo país, poucos profissionais com formação adequada para desenvolver projetos que possam atender às especificidades da pessoa com autismo. Acredito que a universidade, assim como outras instituições formadoras, tem esta responsabilidade social. Eu, particularmente, estou fazendo a minha [parte]”, conta.

O Projeto começou com dez crianças, com idades entre oito e 12 anos. Em 2010, a pedido dos Centros de Atenção Psicossocial Infantil de Maceió, o Premaut ampliou a ação e passou a atender também oito adolescentes com autismo. Hoje, o grupo é composto por oito crianças e cinco adolescentes – de acordo com Chrystiane, a saída de alguns deles teve como causas a dificuldade de transporte ou a necessidade de frequentar escolas especializadas no horário das atividades do projeto, que acontecem às terças e quintas, das 14h30 às 16h.

Na interação com as crianças e adolescentes autistas, a equipe do Premaut tem observado que é preciso fazer ajustes de metodologia para auxiliá-los na aprendizagem motora. “A fórmula ‘desenvolvimento normal em ritmo desacelerado’ não se aplica à pessoa com autismo. Em nosso projeto temos encontrado, a partir da utilização de instrumentos de avaliação de desenvolvimento motor, que as pessoas com autismo modificam seus padrões motores em diferentes velocidades”, relata.

Observação e persistência
Para atender não só a autistas, mas a qualquer público com necessidades específicas, todos sabemos que o Profissional de Educação Física tem que se informar a fundo sobre seus sintomas e suas limitações. No caso do autismo, os portadores do transtorno podem apresentar afetação qualitativa nas suas relações sociais, alterações da comunicação e da linguagem, falta de flexibilidade mental e comportamental.

Mas, para Chrystiane Toscano, só esse conhecimento não basta. O Profissional deve levar em conta, também, todo o contexto social em que a criança ou o adolescente está inserido, ou seja: a observação é fundamental. “Conhecer sua história de vida e identificar quais são as suas possibilidades e dificuldades reais de interação com o meio me conduz à projeção de seleções de procedimentos mais legítimos”, explica.

Rodrigo Brívio acrescenta outra qualidade que o profissional de Educação Física deve ter para trabalhar com autistas. “Além do conhecimento, tem que ter persistência. Você sabe da capacidade daquele aluno, vê que somente ele é capaz de fazer aquele determinado exercício e ele não faz, e eu não sei explicar porque ele não quer fazer. Você tem que persistir naquilo que acredita que realmente vai dar certo”.

Ele também alerta para que o profissional tenha preparo emocional a fim de poder conviver com todas as dificuldades que os autistas enfrentam no seu cotidiano, pois o envolvimento é inevitável. “Não adianta dizer que vai ser só alegria, que vai vir pra cá e fazer um trabalho bonito, não é bem assim. Você conquista coisas junto, sofre junto com aquele aluno por questões da escola: a dificuldade dessas crianças com a escola é muito grande, é uma batalha a cada dia. Então não é “fiz aqui os 35 minutos, acabou e tchau”. Não é isso. O envolvimento emocional é muito grande” .