sábado, 17 de maio de 2014

Dez coisas que toda criança com autismo gostaria que você soubesse

Ellen Nottohm
(tradução livre - Andréa Simon) 
  
1) Antes de tudo eu sou uma criança. 
 
Eu tenho Autismo. Eu não sou somente "Autista". O meu autismo é só um aspecto do meu carácter. Não me define como pessoa. Você é uma pessoa com pensamentos, sentimentos e talentos. Ou você é somente gordo, magro, alto, baixo, míope. Talvez estas sejam algumas coisas que eu perceba quando conhecer você, mas isso não é necessariamente o que você é. Sendo um adulto, você tem algum controle de como se auto define. Se quer excluir uma característica, pode se expressar de maneira diferente. Sendo criança eu ainda estou descobrindo. Nem você ou eu podemos saber do que eu sou capaz. Definir-me somente por uma característica, acaba-se correndo o risco de manter expectativas que serão pequenas para mim. E se eu sinto que você acha que não posso fazer algo, a minha resposta naturalmente será: Para que tentar?





2) A minha percepção sensorial é desordenada.
Interação sensorial pode ser o aspecto mais difícil para se compreender o autismo. Quer dizer que sentidos ordinários como audição, olfato, paladar, toque, sensações que passam desapercebidas no seu dia-a-dia podem ser dolorosas para mim. O ambiente em que eu vivo pode ser hostil para mim.
Eu posso parecer distraído ou em outro planeta, mas eu só estou tentando me defender. Vou explicar o porquê uma simples ida ao mercado pode ser um inferno para mim: a minha audição pode ser muito sensível. Muitas pessoas podem estar falando ao mesmo tempo, música, anúncios, barulho da caixa registradora, telemóveis tocando, crianças chorando, pessoas tossindo, luzes fluorescentes. O meu cérebro não pode assimilar todas estas informações, provocando em mim uma perda de controle.
O meu olfato pode ser muito sensível. O peixe que está à venda na peixaria não está fresco; a pessoa que está perto pode não ter tomado banho hoje; o bebê ao lado pode estar com uma fralda suja; o chão pode ter sido limpo com amônia. Eu não consigo separar os cheiros e começo a passar mal. Porque o meu sentido principal é o visual. Então, a visão pode ser o primeiro sentido a ser superestimulado. A luz fluorescente não é somente muito brilhante, ela pisca e pode fazer um barulho. O quarto parece pulsar e isso machuca os meus olhos. Esta pulsação da luz cobre tudo e distorce o que estou vendo. O espaço parece estar sempre mudando. Eu vejo um brilho na janela, são muitas coisas para que eu consiga me concentrar. O ventilador, as pessoas andando de um lado para o outro... Tudo isso afeta os meus sentidos e agora eu não sei onde o meu corpo está neste espaço. 




3) Por favor, lembre de distinguir entre não querer (eu não quero fazer) e eu não posso (eu não consigo fazer)
 Receber e expressar a linguagem e vocabulário pode ser muito difícil para mim. Não é que eu não escute as frases. É que eu não te compreendo. Quando você me chama do outro lado do quarto, isto é o que eu escuto "BBBFFFZZZZSWERSRTDSRDTYFDYT João". Ao invés disso, venha falar comigo diretamente com um vocabulário simples: "João, por  favor, coloque o seu livro na estante. Está na hora de almoçar". Isso me diz o que você quer que eu faça e o que vai acontecer depois. Assim é mais fácil para compreender. 
 
4) Eu sou um "pensador concreto" (CONCRETE THINKER).
O meu pensamento é concreto, não consigo fazer abstrações. Eu interpreto muito pouco o sentido oculto das palavras. É muito confuso para mim quando você diz "não enche o saco", quando o que você quer dizer é "não me aborreça". Não diga que "isso é moleza, é mamão com açúcar" quando não há nenhum  mamão com açúcar por perto e o que você quer dizer é que isso é algo fácil de fazer.
Gírias, piadas, duplas intenções, paráfrases, indiretas, sarcasmo eu não compreendo. 


5) Por favor, tenha paciência com o meu vocabulário limitado.
Dizer o que eu preciso é muito difícil para mim, quando não sei as palavras para descrever o que sinto. Posso estar com fome, frustrado, com medo e confuso, mas agora estas palavras estão além da minha capacidade, do que eu possa expressar. Por isso, preste atenção na linguagem do meu corpo (retração, agitação ou outros sinais de que algo está errado).
Por outro lado, posso parecer como um pequeno professor ou um artista de cinema dizendo palavras acima da minha capacidade na minha idade. Na verdade, são palavras que eu memorizei do mundo ao meu redor para compensar a minha deficiência na linguagem. Por que eu sei exatamente o que é esperado de mim como resposta quando alguém fala comigo. As palavras difíceis que de vez em quando falo pode vir de livros, TV, ou até mesmo serem palavras de outras pessoas. Isto é chamado de ECOLALIA. Não preciso compreender o contexto das palavras que estou usando. Eu só sei que devo dizer alguma coisa.
  
 6) Eu sou muito orientado visualmente porque a linguagem é muito difícil para mim.
Por favor, mostre-me como fazer alguma coisa ao invés de simplesmente me dizer. E, por favor, esteja preparado para me mostrar muitas vezes. Repetições consistentes ajudam-me a aprender. Um esquema visual ajuda-me durante o dia-a-dia. Alivia-me do stress de ter que lembrar o que vai acontecer. Ajuda-me a ter uma transição mais fácil entre uma atividade e outra. Ajuda-me a controlar o tempo, as minhas atividades e alcançar as suas expectativas. Eu não vou perder a necessidade de ter um esquema visual por estar crescendo. Mas o meu nível de representação pode mudar. Antes que eu possa ler, preciso de um esquema visual com fotografias ou desenhos simples. Com o meu crescimento, uma combinação de palavras e fotos pode ajudar mais tarde a conhecer as palavras. 

7)  Por favor, preste atenção e diga o que eu posso fazer ao invés de só dizer o que eu não posso fazer.
Como qualquer outro ser humano não posso aprender em um ambiente onde sempre me sinta inútil, que há algo errado comigo e que preciso de "CONSERTO". Para que tentar fazer alguma coisa nova quando sei que vou ser criticado?
 Procure identificar o meu potencial e você vai encontrar muitos! Terei mais que uma maneira para fazer as coisas. 


 8) Por favor, me ajude com as interações sociais.
Pode parecer que não quero brincar com as outras crianças no parque, mas algumas vezes simplesmente não sei como começar uma conversa ou entrar na brincadeira.
Se você pode encorajar outras crianças a me convidarem a jogar futebol ou brincar com carrinhos, talvez eu fique muito feliz por ser incluído. Eu sou melhor em brincadeiras que tenham atividades com estrutura começo-meio-fim.
Não sei como "LER" expressão facial, linguagem corporal ou emoções de outras pessoas. Agradeço se você me ensinar como devo responder socialmente. Exemplo: Se eu rir quando Sandra cair do escorrega não é que eu ache engraçado. É que eu não sei como agir socialmente. Ensine-me a dizer: "você esta bem?". 
 
 9) Tente encontrar o que provoca a minha perda de controle.
Perda de controle, "chilique", birra, má-criação, escândalo, como você quiser chamar, eles são mais horríveis para mim do que para você. Eles acontecem porque um ou mais dos meus sentidos foi estimulado ao extremo.
Se você conseguir descobrir o que causa a minha perda de controle, isso poderá ser prevenido - ou até evitado. Mantenha um diário de horas, lugares pessoas e atividades. Você encontrará uma sequência;  pode parecer difícil no começo, mas, com certeza, vai conseguir. Tente lembrar que todo comportamento é uma forma de comunicação. Isso dirá a você o que as minhas palavras não podem dizer: como eu sinto o meu ambiente e o que está acontecendo dentro dele. 

10) Se você é um membro da família me ame sem nenhuma condição.
Elimine pensamentos como  "Se ele pelo menos pudesse…" ou "Porque ele não pode…" Você não conseguiu atender a todas as expectativas que os seus pais tinham para você e você não gostaria de ser sempre lembrado disso. Eu não escolhi ser autista. Mas lembre-se que isto está acontecendo comigo e não com você. Sem a sua ajuda as minhas hipóteses de alcançar uma vida adulta digna serão pequenas. Com o seu suporte e guia, a possibilidade é maior do que você pensa. 
Atividade de intervenção pedagógica no EAMAAR (Manaus/AM)

Eu prometo: EU VALHO A PENA.
 
         E, finalmente, três palavras mágicas: Paciência, Paciência, Paciência. 
Ajude a ver o meu autismo como uma habilidade diferente e não uma incapacidade. Olhe por cima do que você acha que seja uma limitação e veja o presente que o autismo me deu.
 Talvez seja verdade que eu não seja bom no contato olho-no-olho e conversas, mas você notou que eu não minto, roubo em jogos, fofoco com as colegas de classe ou julgo outras pessoas?
 É verdade que eu não vou ser um Ronaldinho "Fenômeno" do futebol. Mas, com a minha capacidade de prestar atenção e de concentração no que me interesso, eu posso ser o próximo Einstein, Mozart ou Van Gogh (eles também tinham Autismo), uma possível resposta para Alzheimer, o enigma da vida extraterrestre, etc. - O que o futuro tem guardado para crianças autistas como eu, está no próprio futuro.
Tudo que eu posso ser não vai acontecer sem você sendo a minha Base. Pense sobre estas "regras" sociais e se elas não fazem sentido para mim, deixe de lado. Seja o meu protetor, seja o meu amigo e nós vamos ver até onde eu posso ir. 

CONTO COM VOCÊ!!!  

Fonte:http://www.autimismo.com.br

sábado, 14 de dezembro de 2013

A melhor terapia para o Autismo

       Certo dia, uma mãe nos procurou na escola, em busca de matrícula para seu filho que segundo ela, tem autismo. Desejava saber se haviam critérios para a matrícula, considerando que se tratava de uma criança com autismo.

       Foi então que a lembramos que a criança com autismo é, antes de tudo, criança. Portanto, tem direito à matrícula em qualquer escola, seja pública ou privada. Se necessário caberá à escola promover toda a acessibilidade, visando a superação das barreiras atitudinais e metodológicas, de modo a garantir sua plena inclusão.

      Após, garantir à mãe que seu filho seria bem atendido, pois a escola já tem experiência no atendimento à crianças com autismo, cujo desenvolvimento e superação de suas limitações foram surpreendentes. No lugar da preocupação inicial, surgiu um sorriso nos lábios e a expressão de alívio que foram expressas em suas palavras: "Sim, eu acredito que meu filho será bem atendido, aqui."


Crianças do CMEI numa aula-passeio pelos pontos turísticos de Manaus.
        É preciso entender que para os pais de crianças com deficiência o sentimento de superproteção é mais forte, porque seus filhos são mais vulneráveis em função das limitações que apresentam. E, lamentavelmente, nem todas as escolas estão preparadas para atendê-los. Isso, no entanto, não é justificativa. Já que é possível a cada um buscar esta qualificação. O mundo é dinâmico e os desafios devem ser vistos como motivação para o nosso crescimento, tanto pessoal quanto profissional. Quanto a aceitação do outro, do diferente, cada um prestará contas a Deus. O preconceito é inaceitável, venha de onde vier. 

      A melhor terapia para uma criança com autismo é aquela na qual promovemos sua inserção social através da convivência com seus pares. No Cmei Dierdre Gama Machado em Manaus/AM, as crianças que apresentam algum tipo de deficiência foram muito bem acolhidas por suas professoras. E, nos orgulhamos muito destas profissionais. Peço licença para parabenizar as professoras: Claudia Ferreira, Elenilde Mota Cabral , Simone Frazao e Clicce, pelo excelente trabalho que desenvolvem em prol da inclusão social e escolar de nossas crianças.


Paulinho na aula-passeio pela Ponta Negra em Manaus/AM.


       A socialização de Paulinho através da escola é a mais evidente prova de que a melhor terapia para uma criança com autismo é aquela que promove sua inserção social, com muito respeito e responsabilidade. Que nossas escolas possam tomar consciência da enorme relevância deste trabalho em prol de uma sociedade mais humana e justa para todos. Pois, incluir não é nenhum favor, mas, sobretudo., um dever moral e ético.  FELIZ NATAL!!!!

Paulinho com os amigos, feliz da vida!!!



sexta-feira, 15 de novembro de 2013

Pedagogia Son-Rise: uma esperança para o Autismo




       Recentemente, vasculhando na internet,  tive a felicidade de encontrar e assistir ao filme: MEU FILHO, MEU MUNDO. Trata-se da história real do casal  Neil Kaufman e  Samahria Kaufman, e sua experiência com o autismo.


     O filme nos mostra, sobretudo, a força e determinação desses pais que não se deixaram vencer pelo autismo. Eles o venceram.  A partir de um programa pedagógico,  criado de forma intuitiva, denominado Son- Rise, eles conseguiram curar o filho, que hoje dirige a “The Autism treatment center of  América”. Uma organização que já treinou milhares de pais e mães de vários países, dando-lhes aquilo que lhes haviam tirado, após um diagnóstico de Autismo: ESPERANÇA
.


    
      Neil Kaufman e Samahria Kaufman não se conformaram com os prognósticos dados pela classe médica ao filho,  que nos primeiros anos de vida foi diagnosticado com autismo severo, apresentando, ainda, um QI abaixo de 30.


     Um prognóstico é, antes de tudo, um juízo médico  antecipado baseado em diagnóstico. Uma previsão ou “profecia” do que os pais de uma criança com autismo devem esperar de seu filho. E, geralmente, os prognósticos são sempre desalentadores e pessimistas para estes casos.


     No entanto o casal Kaufman se negou a aceitá-lo. Eles acreditavam na possibilidade de cura e superação,  e isso o filme mostra com maestria.


O Método Son-Rise



     Fazendo uma análise pedagógica do Programa Son- Rise  é possível identificá-lo em vários aspectos com as teorias pedagógicas desenvolvidas por Vygotsky, cujo pensamento  coloca o processo de interação entre os sujeitos e o mundo  como a  base do desenvolvimento humano e da aprendizagem. 


     O casal Kaufman acreditava (e essa é a base do método) que a maior dificuldade da criança com autismo está na sua incapacidade de interação.  Sendo assim, todos os demais problemas advém desta dificuldade, como por exemplo a capacidade de comunicação. E, nisso, eles acertaram. Vygotsky defendia  a ideia de  que a aprendizagem move o desenvolvimento e não o contrário.

    Portanto, à medida que o sujeito passa a interagir com o mundo,  há como consequência o desenvolvimento de habilidade e capacidades humanas, dentre elas a linguagem.  Que no início é rudimentar e aos poucos vai se especializando, com a ampliação do repertório linguístico, que advém da expansão de suas experiências sociais, primeiramente com a mãe e aos poucos com outros pares e grupos sociais. O ser humano é um ser social. Portanto, a interação social é a base do seu desenvolvimento.




      Partindo desse pressuposto o programa  Son-Rise propõe que se promova  o máximo de interação com a criança, mas de um modo prazeroso e estimulante, tanto para esta quanto para seus pais. Afinal que graça tem interagir com alguém que não demonstra satisfação nessa interação?


     Para estes momentos lúdicos e de prazerosa interação, o casal criou em sua casa, no início da década de 70, o que denominaram de quarto do brinquedo. Um espaço específico para o desenvolvimento de atividades lúdicas com o filho que apresentava autismo. As atividades duraram por cerca de 3 anos, no fim dos quais a criança foi plenamente socializada.  A partir de então tal experiência passou a servir de referência de tratamento para crianças com autismo até dias atuais.


     O método do casal Kaufman demonstrou-se eficaz na cura do filho, apesar de todas as previsões  pessimistas da classe médica. Dizem que contra os fatos não existem argumentos. E o fato é que hoje o jovem Raun Kaufmam, filho do casal que criou o método Son Rise,  é  bem sucedido tanto no âmbito profissional quanto no pessoal. Graduou-se com honras em ética biomédica e, atualmente, dirige o centro de treinamento fundado por seus pais  em Massachusetts, nos EUA .


     O grande mérito do programa é devolver a esperanças aos pais de crianças e jovens com autismo. A partir daí superam-se crenças deterministas e equivocadas, assumindo-se  uma postura otimista em relação a esse transtorno.  “No Programa Son-Rise, a aceitação da pessoa com autismo, associada a uma atitude positiva – de entusiasmo e esperança – em relação ao potencial de desenvolvimento desta pessoa, são princípios básicos para o tratamento.”(Revista autismo/online)


     Pais de crianças com autismo devem acreditar, sobretudo, no infinito potencial de seus filhos, assumindo uma atitude  positiva diante da vida, de modo a promover com entusiasmo suas capacidades e habilidades tendo em vista sua inserção social. Tudo isso, com  grandes doses de afetividade e aceitação. Nós devemos isto às crianças e jovens com autismo.

Para saber mais, acesse:
http://www.autismtreatmentcenter.org/contents/languages/portuguese_version.php 



Imagens: Google




domingo, 3 de novembro de 2013

O jogo de regras na Educação Infantil



     
Jogo da velha
     Historicamente, o brincar e os jogos, de uma forma geral,  foram vistos ou concebidos como atividade recreativa, pura e simplesmente. Até bem pouco tempo, pouca pesquisa havia sobre a importância deste recurso como mediador na aprendizagem, especialmente, em espaços formais de ensino. No entanto, nos últimos anos tem crescido o interesse pelo estudo destes recursos a partir de sua relevância, especialmente, na educação das crianças tenham elas as características que tiverem.


Jogo de dominó
     Somos herdeiros de uma sociedade onde, tradicionalmente, o jogo e o brinquedo foram sempre vistos como mero entretenimento. Não é por acaso que alguns de nós, em algum momento da vida escolar, certamente ouviu da professora a seguinte expressão: “agora é hora de estudar e não de brincar”;  mostrando-nos e incutindo em nós a ideia de que a aprendizagem está distante do ato de brincar( ou do prazer que este proporciona) e a ele se contrapõe. Talvez, justamente por isso, alguns professores se sintam desconfortáveis ao utilizar o jogo como mediador da aprendizagem em suas aulas.Tal preconceito em relação a esse recurso certamente impede que muitos professores o utilizem como uma potencial ferramenta de aprendizagem. 

Jogo "Feche a caixa"
     Pesquisas comprovam que os jogos de regras  além de promoverem  o desenvolvimento físico e psíquico das crianças, estimulam, também, o desenvolvimento de habilidades sociais, a cooperação, a iniciativa, a atenção, a autonomia, a autoestima, o desenvolvimento do raciocínio, a capacidade de lidar com as frustrações e os limites, dentre outros.


Atividade em grupo com bola e tecido.
     No entanto, a criança não nasce sabendo jogar, ela aprende. Para tanto, necessita da mediação pedagógica do adulto para participar de sua dinâmica. A seguir,  a experiência de uma professora que desenvolve o jogo de regras na Educação Infantil, com orientações do passo a passo, para que a atividade aconteça de modo satisfatório. Acesse http://pedagodiaano1.wordpress.com/2010/10/24/jogos-de-regras-na-educacao-infantil/


      Uma ótima leitura!!!!

sábado, 26 de outubro de 2013

Contribuições do método Montessori para a Educação Infantil



        O  processo pedagógico fundamentado na pedagogia Montessoriana está alicerçado sob três pilares: O ADULTO PREPARADO, O AMBIENTE PREPARADO E A CRIANÇA EQUILIBRADA. 


Para Montessori a criança é apaixonada pela ordem. O mundo é um caos.

O “adulto preparado” é aquele que orienta e conduz à criança no caminho do conhecimento. É fundamental que busque constantemente o seu aperfeiçoamento profissional, especialmente para dar conta dos desafios que a educação contemporânea impõe.

 Para os que se propõem educar crianças é importante conhecer como estas se desenvolvem etapa por etapa, assim como, identificar seus interesses e peculiaridades. Podendo fazer uso de um diário onde fará anotações sobre o que observa na criança: o que a interessa,  o que não a interessa, buscando pistas que dão informações sobre os pequenos.

Nessa perspectiva a educação não se limita ao repasse de conteúdos, mas, sobretudo, o preparo para a vida. Não se trata, apenas, da evolução do conhecimento, mas da evolução da própria humanidade. O professor montessoriano deve despir-se do orgulho e revestir-se de humildade. O afetividade deve estar presente na relação professor/aluno.

Ambiente deve ser enxuto. Tem apenas o que é necessário. A recursos devem estar acessíveis às crianças.
  
O ambiente deve ser organizado para atender e satisfazer a curiosidade das crianças e promover sua aprendizagem e em consequência, o seu desenvolvimento humano.

Os princípios que norteiam a pedagogia montessoriana  são:

       AUTOEDUCAÇÃO – a promoção da autoeducação se faz através da disponibilidade de materiais através dos quais a criança exercita e desenvolve suas capacidades e habilidades, com a pouca interferência do educador. Cabe a este instruir sobre o uso dos materiais e manter-se a certa distância, observando a interação da criança com o objeto, fazendo intervenções quando necessárias. O professor ensina e a criança repete a atividade quantas vezes quiser. Todas as lições são breves e suscintas.
          A criança inicia o aprendizado da escrita aos dois anos. Para promover esse desenvolvimento podemos propor a realização de atividades que estimulem os movimentos de pinça e a realização de contornos de objetos em vários formatos. Há também os jogos de encaixe, onde o próprio objeto em si já contem o controle do erro. No jogo do encaixe cada orifício admite apenas um objeto. Nesse caso o próprio material a corrige.  Não há possibilidade de completar o exercício se todas as peças não forem encaixadas no seu devido lugar. Nesse sentido podemos dizer que a própria criança se educa, à medida que aprende, pela manipulação do objeto, e através de suas tentativas, o modo correto de realizar a atividade.


O ambiente deve propor desafios que a criança possa superar.

         EDUCAÇÃO CÓSMICA – A educação cósmica parte da premissa de que tudo esta interligado. Seres vivos e não vivos, todos são interdependentes. A proposta pedagógica montessoriana  busca fazer a criança perceber e sentir esta ideia de interconexão entre o todo e as partes. A minhoca depende da terra e faz o adubo.  A criança percebe esta conexão através da observação da natureza.
        A educação cósmica respeita a ordem em que está disposto o universo. Permite uma percepção de mundo organizado, onde todos os elementos tem sua importância.. A abelha pousa na flor e produz o mel, permitindo que o universo prossiga o seu ciclo. Assim acontece com cada ser humano, a cada um cabe um papel. Desta forma se introduz o conceito de ecologia. 


Não existem provas. A avaliação se faz pela observação do desempenho da criança. O processo se repete até se tornar satisfatória a aprendizagem.

      EDUCAÇÃO COMO CIÊNCIA – É preciso considerar a observação científica e o como ensinar. A ênfase não é o conteúdo, mas em como este é ensinado. O professor ensina como explorar, se afasta e observa. Não deve interferir ou interferir o mínimo. O importante é observar como a criança aprende e elabora o conhecimento. Neste contexto não existem provas e a avaliação se dá pela observação do desempenho da criança. Se algo esta errado, repete-se o processo até que seja satisfatório o resultado.



Imagens: Google

sexta-feira, 25 de outubro de 2013

Crianças inquietas e o TDA ou TDAH

     É muito comum crianças hiperativas, com excesso de atividade motora serem confundidas com crianças com TDA (transtorno do déficit de atenção) ou TDAH (transtorno do déficit de atenção com hiperatividade). Vale ressaltar que nem toda pessoa com déficit de atenção é necessariamente hiperativa. E este detalhe pode passar desapercebido pelos pais e/ou professores. Normalmente, a criança que incomoda mais é a criança hiperativa. Mas a hiperatividade motora por si só não determina se a criança é uma criança com TDA ou TDAH. Algumas pessoas leigas no assunto, especialmente, alguns professores quando se deparam com uma criança muito agitada, tendem a se antecipar ao diagnóstico, levantando a hipótese do transtorno. Isso, infelizmente é mais comum do que se imagina.

     O diagnóstico do TDA ou TDAH só pode ser feito por um profissional especializado nesse tipo de transtorno. O diagnóstico é clínico e tem como base o histórico do paciente. 

     A Dra.Ana Beatriz Silva, psiquiatra e  Presidente da AEDDA – Associação dos Estudos do Distúrbio do Déficit de Atenção, é especialista no assunto, cujo tema é tratado em seu livro "Mentes inquietas". A seguir uma entrevista em que a Dra. Ana Beatriz  nos fala de forma clara, simples e objetiva sobre o TDA.