terça-feira, 9 de junho de 2015

As cem linguagens das crianças





A criança é feita de cem.
A criança tem cem mãos
Cem pensamentos
Cem modos de pensar
de jogar e de falar.
Cem sempre cem modos de escutar
as maravilhas de amar.





Cem alegrias para cantar e compreender.
Cem mundos para descobrir.
Cem mundos para inventar.
Cem mundos para sonhar.
A criança tem cem linguagens
(e depois cem cem cem)
mas roubaram-lhe noventa e nove.
A escola e a cultura
lhe separaram a cabeça do corpo.





Dizem-lhe:
de pensar sem as mãos
de fazer sem a cabeça
de escutar e não falar
de compreender sem alegrias
de amar e maravilhar-se
só na páscoa e no Natal.
Dizem-lhe:
de descobrir o mundo que já existe
de cem
roubaram-lhe noventa e nove.





Dizem-lhe:
que o jogo e o trabalho
a realidade e a fantasia
a ciência e a imaginação
céu e a terra
a razão  e o sonho
são coisas que não estão juntas.
Dizem-lhe
que as cem não existem
A criança diz:
ao contrario, as cem existem.

Loris Malaguzzi

Ideias criativas para estimular algumas das múltiplas formas de expressão infantil:







Crianças com autismo curtem a história dos 3 porquinhos da mesma forma que as demais.

Explorar o mundo mágico da imaginação é fornecer conteúdo para o enriquecimento da subjetividade humana e criatividade.







































Pista de carrinho

Fonte: Google imagens

segunda-feira, 8 de junho de 2015

AUTISMO E O DOMÍNIO DA ATENÇÃO

Solange Oliveira

Especialista em Educação Especial

Fonte: Google imagens

 Dentre as características manifestadas por crianças e jovens com autismo, estão aquelas relacionadas a sua dificuldade em manter a atenção concentrada. E, que por sua vez resultam num comportamento disperso, marcado por uma hiperatividade motora, que os levam a passar de uma atividade a outra, de modo frenético; tudo chama a atenção; podendo demonstrar fadiga, como também, a fuga de atividades estruturadas. 

Em crianças mais comprometidas, parece não haver critérios nas escolhas dos movimentos, que aparentam ser aleatórias.

Criança com TEA  em atividade lúdica no EAMAAR

       De acordo com Vygotsky, a história da atenção da criança é a história de sua conduta organizada. Onde o desenvolvimento da atenção e do autocontrole motor estão relacionados à capacidade de apropriação, através da aprendizagem, de conhecimentos mais complexos e abstratos. Uma habilidade que somente se adquire pela educação. Ou seja, não acontece de modo espontâneo.

          Para manter o foco, o cérebro deve ser capaz de filtrar a enorme quantidade de informações e estímulos a que estamos expostos e que nos chegam através dos sentidos. De modo que, possamos estar atentos ao que for mais relevante naquele momento. Graças ao desenvolvimento da atenção é possível manter a concentração em um ambiente barulhento, por exemplo.


Criança com TEA em atividade lúdica no EAMAAR
          
            Daí a necessidade de um trabalho estruturado com crianças com autismo para que estas possam desenvolver a atenção e o autocontrole motor, favorecendo sua aprendizagem e o desenvolvimento tanto de habilidades cognitivas quanto afetivas e sociais.

        Por esta razão, vale a pena investir nas variadas modalidades de jogos e recursos pedagógicos que despertam o interesse deste público, e, paralelamente, promovem o desenvolvimento de competências necessárias ao processo cognitivo.

       Algumas sugestões de jogos que são utilizados nas intervenções pedagógicas de crianças com autismo. Usuários  que apresentam transtornos na aprendizagem e são atendidos no EAMAAR (Espaço de Atendimento Multidisciplinar ao Autista Amigo Ruy). Os resultados foram e continuam sendo surpreendentes.







Pedagoga Solange Oliveira no EAMAAR - Manaus/AM.

domingo, 7 de junho de 2015

NEUROEDUCAÇÃO: A TRILHA SONORA DA APRENDIZAGEM

Fonte: Google imagens

     Muito já se sabe sobre os efeitos da música sobre o comportamento e a saúde mental. Quem não é capaz de lembrar uma trilha sonora que marcou um momento especial em sua vida? De tal modo que ao ouvir a música tem-se a sensação de voltar no tempo.

    No entanto, seus efeitos podem ir além. Recentemente foi citada na Revista Neuroeducação nº 3, uma pesquisa britânica que faz uma correlação entre as batidas por minuto (bpm) de canções e os efeitos sobre o desempenho cognitivo.
Fonte:Google  imagens
   Sabemos que as pessoas aprendem de diferentes formas e ritmos. Há aqueles que necessitam de silêncio para aprender, como também, há os que aprendem vendo, vivenciando e experimentando; e os que gostam de estudar ouvindo música. Para os últimos a pesquisa reforça os efeitos da música sobre a cognição. No entanto, não é qualquer música. Existe uma apropriada para cada habilidade cognitiva.

    A pesquisa britânica foi desenvolvida pela psicóloga Emma Gray, especialista em comportamento cognitivo, cujo resultado demonstrou que ouvir música clássica com 60 a 70 bpm favorece a concentração e o raciocínio lógico. Jovens submetidos a teste de matemática com a música de Beethoven “Para Elise” ao fundo, obtiveram melhores resultados, em média 12% a mais.

Fonte: Google imagens


    Segundo a pesquisa outras músicas mais populares não ficam de fora, com batidas de 50-80 bpm, entre as quais We can’t stop, de Miley Cyrus e Mirrors, de Justin Timberlake, permitem uma memória mais eficiente. Outras podem estimular a criatividade como o clássico de Rock (I can’t get no) Satisfaction, dos Rolling Stones. Vale ressaltar que a pesquisa foi patrocinada por um serviço de música on-line e que são necessários mais estudos para comprovar os efeitos citados.

    Sugestões da psicóloga Emma Gray,  para estimular:

Criatividade

Beauty and a beat – Justin Bieber e Nicki Minaj
Firework – Katy Perry
Kiss you – One Direction
(I can’t get no) Satisfaction – Rolling Stones

Pensamento lógico

Halo – Beyoncé
O lago dos cisnes – Tchaikovsky
Mirrors – Justin Timberlake
Ode à alegria – Beethoven
Para Elise – Beethoven



Fonte:  Google imagens










Então... 
Se nenhuma das opções for do seu agrado, escolha sua trilha sonora e bons estudos!!!!


quarta-feira, 3 de junho de 2015

11 MANDAMENTOS PARA PAIS DE CRIANÇAS COM AUTISMO

1. “Não manterás seu filho preso em casa”

     Todos nós sabemos como é difícil sair com crianças autistas para restaurantes, viagens, shoppings, aniversários e outros eventos sociais. Muitas vezes, nossos filhos tendem a correr sem rumo, não sabem esperar e se sentem incomodados com a quantidade de estímulos que encontram no ambiente externo. Mas o único jeito de ensiná-los a se comportar nesses lugares – e a tolerar o excesso de estímulos – é estando com eles nesse momento. Não poupando-os e mantendo-os sempre na sua zona de conforto.
Espaço do Autista - EAMAAR/Manaus-AM


     Por outro lado, vivemos dizendo que o mundo precisa aprender a lidar com a diversidade. Mas como, se as pessoas que são “diferentes”, muitas vezes, mal saem de casa? Temos, também, esse papel social de acostumar a sociedade a conviver com a diferença dos nossos filhos. Se você vê seu filho como um “coitado” incapaz de conviver em sociedade, é assim que ele será visto pelos outros também.

2. “Não terás medo de trocar as terapeutas”

     Por mais que a gente queira manter um certo distanciamento profissional, acabamos nos envolvendo com as terapeutas dos nossos filhos. E, quando notamos que aquela abordagem não está mais fazendo o efeito desejado, nos sentimos culpadas por sequer pensar em trocar aquela profissional…a gente acaba levando muito pro lado pessoal. Mas isso faz parte da vida: terapias param de funcionar. Você substitui e, daí há um tempo, pode ser que volte à primeira. É importante seguir o seu feeling. Faz quantos meses que você não nota nenhum progresso palpável no desenvolvimento do seu filho? Pode ser essa a hora de variar a abordagem.

Espaço do Autista - EAMAAR/Manaus - AM

3. “Procurarás ter contato com outras mães na mesma situação”

     Esse, pra mim, é um dos principais. Quando nosso filho recebe um diagnóstico de autismo, nos sentimos sem chão. Acabamos confiando totalmente naquele médico que deu o diagnóstico e no direcionamento que ele vai dar para o tratamento. Isso não é errado nem ruim. Mas, acontece que há muitas mães por aí que, após longos anos nessa caminhada, acabam sabendo mais sobre tratamentos e abordagens que muitos médicos. Mães totalmente autodidatas e dispostas a compartilhar esse conhecimento. E você pode poupar um tempo precioso se resolver ouvi-las. Nada substitui a experiência de uma pessoa que passou pela mesma situação que você!

4. “Questionarás a tudo e a todos”

     O médico sugeriu uma medicação? Tente entender o porquê e se ela realmente é indispensável. Uma conhecida te sugeriu um tratamento? Procure na internet, converse com outros pais, entenda se faz sentido. A terapeuta se fecha com seu filho na sala e você não sabe o que se passa durante a sessão? Solicite a ela uma filmagem para acompanhar. É seu direito como mãe ou pai! Você não pode ficar no escuro! Não aceite nada “goela abaixo” sem estar totalmente confortável e sem entender perfeitamente do que se trata. É da vida do seu filho que estamos falando.

Espaço do Autista/- EAMAAR/Manaus - AM


5. “Acreditarás no potencial do seu filho”

     Isso pode fazer toda a diferença. Se a criança sente que o pai ou mãe não acredita que ela pode superar seus próprios desafios, por que ela vai tentar? Se um profissional sente que os pais não levam muita fé naquela criança, por que vai se esforçar para fazê-la progredir?
Acredite no seu filho! Ele vai retribuir!
Acredite no seu filho! Ele vai retribuir!

6. “Repetirás, persistirás e insistirás sempre”

     Muitas vezes, as crianças com dificuldades de aprendizado precisam de MUITA repetição para absorverem um comportamento ou habilidade nova. Isso pode ser extremamente cansativo para os pais.

     Lembro quando estávamos tentando ensinar o Theo a apontar para o que queria, aos 2 anos de idade, já com o diagnóstico de autismo. Pegávamos aquela mãozinha gordinha e miúda, esticávamos o dedinho indicador e falávamos “aponta, Theo, com o seu dedinho”. Quantas vezes eu chorei, quantas vezes eu pensei que era tudo em vão, porque ele parecia não fazer o menor esforço para esticar aquele dedo. Até que um dia…após um ano de tentativas, ele começou a apontar para tudo, frenético, sem parar! O mesmo aconteceu com o “dá”. Foi-se, aí, mais de um ano de tentativas. O uso do Ipad, também.

     Insista e nunca desista! Um dia, aquela habilidade vai vir!

Espaço do Autista/EAMAAR - Manaus/AM


7. “Não compararás seu filho com as outras crianças”

     Apesar de ser muito, MUITO difícil, isso é uma coisa que temos que trabalhar. Assim que temos o diagnóstico, em meio ao luto e ao sofrimento, tendemos a comparar nossos filhos com outras crianças típicas da mesma idade. Isso é muito doloroso, porque logo percebemos a distância que há entre o desenvolvimento de uns e outros.

     Após algum tempo, passamos a comparar nossos filhos autistas com outras crianças no espectro. E isso também não é legal. Sempre vai haver uma criança que falou antes, ou que aprendeu a brincar de carrinho antes, ou que deixou as fraldas antes. O espectro é muito amplo, e se você fica comparando seu filho a outras crianças, perde o foco das características incríveis e únicas que só ele tem.
Compare seu filho de hoje com quem ele era há 3 meses. Assim, fica mais fácil e mais justo, concorda?
 
Espaço do Autista - EAMAAAR/Manaus - /Am

8. “Não falarás do seu filho como se ele não estivesse ali”

     Algumas crianças autistas podem não falar, mas entendem TUDO. Já cansei de ouvir relatos de mães de crianças que só falaram após os 6 anos de idade, mas que contavam coisas de quando tinham apenas 4…e não falavam. Imagine como deve ser ouvir uma pessoa falando de você, na sua frente, e você não conseguir se manifestar a respeito?

9. “Não perderás o sono pensando no futuro”

     Ninguém sabe o que o futuro reserva. A ciência tem feito grandes progressos. As intervenções terapêuticas estão cada vez mais precisas. Acredite que tem algo de bom esperando o seu filho no futuro! Invista na independência dele e espere para colher os frutos. Faça a sua parte, mas não perca o sono pensando no “e se”. Isso só traz ansiedade, tristeza, e nenhum ganho para a família.


Espaço do Autista/EAMAAR - Manaus/Am

10. “Aprenderás a levar a vida com mais leveza”

     A falta de tato social dos nossos filhos autistas provoca situações embaraçosas às vezes. O Theo, por exemplo, tem a mania de se aproximar das pessoas pegando no bumbum…

     Claro que devemos ensinar sempre os comportamentos mais apropriados aos nossos filhos, mas que tal não morrer por causa de certas situações? Seu filho limpou a boca na roupa da tia? Peça desculpas a ela, diga a ele que é no guardanapo que ele deve limpar a boca e vá rir no cantinho. As coisas têm o peso que damos a elas, concorda?

11. “Não terás vergonha de pedir ajuda”

     Vivemos correndo uma maratona. Matando vários leões por dia. Nossa vida não é fácil. Parece que a gente não pode nem se dar ao luxo de ficar doente (falei disso no último post). Se você está esgotado, não vê luz no fim do túnel, está deprimido, não consegue cuidar do seu filho como deveria, PEÇA AJUDA! Há vários grupos de pais na internet, várias ong’s, várias pessoas dispostas a ajudar quem precisa.

     Nos Estados Unidos, quando uma criança é diagnosticada com autismo, é assumido que toda a família deve ser “tratada”. Todos precisam de suporte psicológico. Para que você possa ajudar seu filho, precisa estar bem. “Coloque sua máscara de oxigênio primeiro”.
É uma frase batida, mas muito importante!

Autora:  Andrea Werner Bonoli
|http://lagartavirapupa.com.br