domingo, 5 de julho de 2015

AUTISMO - GUIA PRÁTICO

     A verdade é que ninguém ao nascer, traz consigo um manual. Não há para os filhos neurotípicos e, tão pouco, para os que não o são.

   É no dia-a-dia, acumulando experiências, informações e novos aprendizados, que vamos construindo conhecimentos sobre estes últimos, mas, também, sobre os primeiros. Ambos são, na linguagem popular uma "caixinha de surpresas", pois não existe um padrão entre os filhos provenientes do mesmo ventre.  Como também não há entre crianças com TEA. Cada uma é uma, única e singular.

      No entanto, para os pais de crianças com Autismo, a sensação é de caos no início e as vezes se prolonga por toda a vida, quanto menor a capacidade de se adaptar e  se ajustar a uma nova realidade. Sabemos que poucos conseguem lidar com essa experiência de um modo satisfatório e equilibrado. Há muitas perguntas e poucas respostas, como também, poucas pessoas disponíveis para orientar e acenar com uma luz no final do túnel. Lamentavelmente, esta é a regra,

     Daí a importância de guias como este que objetivam ajudar aos pais a encontrar seu próprio caminho. Oferecendo dicas práticas de como conduzir o tratamento de nossas crianças e educá-las da melhor forma possível, apesar das limitações impostas pelo autismo. 

     Um manual que não se destina somente aos pais, mas, também, a todo profissional que se disponha a atender com qualidade este público infantil, tão carente de acolhimento em nossa sociedade.


          Uma ótima leitura!!!!
       


terça-feira, 30 de junho de 2015

O que é TRANSTORNO DE PROCESSAMENTO SENSORIAL

Arquivo pessoal
     O processamento sensorial é a habilidade do sistema nervoso central de dar respostas adequadas às informações trazidas pelos sentidos. Para que dessa forma se possa ter um uso eficiente do corpo no ambiente.

Arquivo pessoal


    O cérebro processa as informações que nos chegam do meio exterior através dos sentidos: tato, olfato, paladar, visão e audição; como também, dos sentidos vestibular (equilíbrio) e proprioceptivo(consciência corporal). No entanto, em crianças que apresentam déficit neste processamento, as informações chegam desorganizadas, produzindo comportamentos menos funcionais e com reduzida capacidade adaptativa.


Arquivo pessoal
    Exames clínicos não são capazes de precisar qual a natureza específica do transtorno, no entanto, uma observação atenta do comportamento infantil nos permitirá perceber que áreas da fisiologia da criança foram afetadas e que carecem, portanto, de uma intervenção no sentido de minimizar seus efeitos sobre a conduta e o desenvolvimento dos pequenos.

arquivo pessoal

  O sinal de alerta dispara quando a vida social e o desempenho, especialmente, nas AVD’s (atividades de vida diária) são afetados.

   No Brasil, infelizmente, há pouco diagnóstico, o que leva à negligência das crianças que apresentam esta condição. Quando o comportamento não é percebido como resultado de um distúrbio sensorial; crianças com o transtorno, acabam sendo rotuladas de mal educadas e sem limites.


Arquivo pessoal

   Pequenas alterações no comportamento quando se tornam exacerbadas, tem um fundo neurofisiológico e isso requer mais atenção.

SINAIS DE ALERTA

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  • Reduzida habilidade nas interações sociais – que se manifesta pela menor participação nas atividades lúdicas e brincadeiras; como também, no isolamento social.
  • Menor frequência nas respostas adaptativas – as crianças são menos adaptadas, manifestando dificuldades em responder de forma adequadas as demandas do meio social.
  • Baixa autoestima e reduzida autoconfiança – as crianças evitam atividade em grupo e podem se sentir mais frustradas por não conseguirem atender as demandas do meio social.
  • Comprometimento nas AVDs(atividades de vida diária); nas habilidades motoras fina e grossa; e  no desenvolvimento sensoriomotor;
  • A criança cai, frequentemente, esbarra em móveis e objetos. É dependente da visão para a ação.
  • Desenvolvimento da aprendizagem comprometido – as crianças tendem a apresentar problemas e dificuldades na aprendizagem, sobretudo, escolar.
  • Baixa atenção e dificuldade em seguir uma atividade sequenciada;
  • Baixa tolerância a determinadas texturas dos alimentos (dificuldade com alimentos sólidos); pode haver aversão a determinados alimentos ou comer de forma compulsiva.
  • Intolerância a determinados estímulos sensoriais, tais como: ruídos e cheiros.
  • Medo de altura ou aversão à geleca e  a areia;
  • Déficit na consciência corporal. Na modulação da força (ao pegar o copo amassam). Atraso na aquisição dos marcos motores.
  • Hipotonia – articulações moles, dificuldades em atividades bimanuais; geralmente são lentas na execução de tarefas;
  •  Dificuldade em movimentos alternados; parecem desajeitadas, preguiçosas e desmotivadas,
  • Cansam-se facilmente; parecem fracas em relação a outras crianças;
  • Ausência de brincadeiras com enredo e limitações no pensamento simbólico; 

      Em crianças com autismo, Síndrome de Down e paralisia cerebral, o distúrbio se torna mais acentuado.



TRATAMENTO

     A terapia de integração sensorial surge como ferramenta para ajudar no desenvolvimento das habilidades e capacidades de sujeitos afetados pelo transtorno sensorial. 

    O estímulo sensorial que provem dos sentidos, em condições normais, é processado e integrado ao sistema nervoso central, de tal forma que permite a organização e o planejamento da resposta, em forma de adaptação e aprendizagem. Com o tempo o organismo vai se adaptando ao estímulo sensorial, produzindo respostas cada vez mais ricas e sofisticadas.




    Na criança que apresenta o transtorno sensorial, o estímulo entra, mas a integração é alterada e o planejamento da resposta fica comprometido. Como consequência ela apresenta respostas mais pobres e inadequadas; com estratégias menos eficientes. Manifestando um comportamento disfuncional e pouco adaptativo.

   O objetivo da terapia é enriquecer e retroalimentar o Sistema Nervoso Central com estímulos sensoriais que atendam a demanda da criança, de modo que se obtenham repostas mais ricas e eficientes, visando sua adaptação ao meio.


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   A terapia usa estímulos VESTIBULARES, PROPRIOCEPTIVOS e TÁTEIS, principalmente, visando criar mais conexões cerebrais, para que a criança se torne mais adaptada. E, assim, possa prestar mais atenção, melhorar sua capacidade de socialização, tornando-a mais tolerante e menos defensiva.




    A atividade deve ser significativa e funcional. Com objetivo e direcionamento; e desafios de acordo com a capacidade da criança. 

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     Dentre elas, destacam-se: brincadeiras, jogos de movimento, jogos de regras, brincadeiras de faz de conta, imaginação e criatividade, expressão corporal, expressão gráfica, todas enriquecidas sensorialmente para favorecer o processamento sensorial.

Para saber mais:

https://lagartavirapupa.com.br
centroevolvere.com.br/blog/transtorno-do-processamento-sensorial-e-algo-serio/






sexta-feira, 26 de junho de 2015

AUTISMO E ALIMENTAÇÃO SAUDÁVEL

     
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   Muitas são as hipóteses levantadas para a cura do Autismo. Existe uma grande expectativa e interesse em relação a esse tema, sobretudo, por parte dos pais e familiares, que em relação a essa matéria devem saber separar o joio do trigo, ou seja, dar maior credibilidade às pesquisas levadas com mais seriedade e responsabilidade.


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      Dentre estas pesquisas, vale destacar as que dizem  respeito a relação entre problemas no funcionamento intestinal e o autismo, que podem ocorrer em períodos críticos,  como nos três primeiros anos de vida da criança. Período no qual está em formação a estrutura intestinal. 


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    Especialistas na área, vem realizando pesquisas há décadas e que apontam para a relação direta entre problemas gastrointestinais e o aparecimento do autismo em crianças. Razão pela qual uma dieta adequada, livre de glúten, caseína e conservantes (presentes em produtos industrializados), podem contribuir para uma melhora significativa no quadro clínico de crianças afetadas pelo TEA (transtorno do espectro do autismo).


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   Quando assistimos à palestras ou lemos artigos sobre esse tema, há sempre um ar de desconfiança e dúvida. No entanto, os argumentos da tese sobre os efeitos nocivos de uma alimentação inadequada e o comportamento humano é algo que merece nossa reflexão e atenção especial. Principalmente, se fizermos um cálculo simples: Década de 40 + industrialização = AUTISMO???. 

   Neste período foi descoberto o Autismo e, ao mesmo tempo, presenciamos o nascimento das indústrias de alimentos, processados em larga escala. E, para manter e expandir esta produção, houve grandes investimentos em pesticidas e antibióticos na pecuária, por exemplo. A televisão surgiu com toda a força de sua publicidade e imperou o reino do fast-food (comida rápida em inglês). 
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    Se para o Autismo ainda não existe cura, pelo menos, é possível proporcionar uma condição de vida melhor às crianças afetadas pelo espectro. A começar por cuidar de sua alimentação, oferecendo-lhes produtos saudáveis e naturais; eliminando, de vez, os produtos industrializados. É o mínimo, mas, essencial. 

E, para saber mais sobre as pesquisas, que tal assistir ao vídeo...






segunda-feira, 22 de junho de 2015

DEFICIÊNCIA E AUTOESTIMA:Quando o olhar do outro me define...

     Hoje, um adolescente que atendo fez o seguinte comentário: “Quando o Alysson Muotri descobrir a cura do autismo, eu vou ser uma pessoa normal”... Outro dia uma mãe comentou, perto do filho: “Eu vejo ele com os irmãos e penso: por que ele não é normal, também? ”

Roda de leitura - EAMAAR

    São apenas exemplos cotidianos do quanto o conceito de anormalidade está associado ao conceito de deficiência. E, o quanto isso pode interferir no autoconceito e autoestima de pessoas com deficiência.

   A deficiência não deve ter o poder de definir as pessoas e categorizá-las. A deficiência é só uma característica dentre as múltiplas apresentadas pelo sujeito. Conhecer a deficiência não é a mesma coisa que conhecer a pessoa que a apresenta.

   A relação humana que se deve estabelecer é, primeiramente, com o sujeito. Que deve ser respeitosa, sobretudo. Olhar para a deficiência e não enxergar o ser humano; deixar que a deficiência limite o meu olhar e me leve a um julgamento equivocado sobre o sujeito, é injusto e uma afronta.

Produção de texto - EAMAAR/Am
Jim Sinclair, diagnosticado com autismo, fez num artigo o seguinte comentário: “Os pais geralmente contam que reconhecer que seu filho é autista foi a coisa mais traumática que já lhes aconteceu. As pessoas não autistas veem o Autismo como uma grande tragédia, e os pais experimentam um contínuo desapontamento e luto em todos os estágios do ciclo de vida da família e da criança. Mas este pesar não diz respeito diretamente ao autismo da criança. É um luto pela perda da criança normal que os pais esperavam e desejavam ter, as expectativas e atitudes dos pais e as discrepâncias entre o que os pais esperam das crianças numa idade particular e o desenvolvimento atual de seu próprio filho causam mais estresse e angústia que as complexidades práticas da convivência com uma pessoa autista”.

        Infelizmente muitas famílias de pessoas com deficiência tem uma certa dificuldade de superar o luto de um sonho que não se realizou; assim como, o desapontamento por suas expectativas frustradas em relação a um ser que nasceu “longe da árvore” ou “fora dos padrões” ditos sociais.

Linguagem matemática - EAMAAR/AM

     Fala-se muito em inclusão social, no entanto, muitas de nossas crianças com deficiência são excluídas pelos próprios familiares. Muitas mães de crianças com autismo sofrem com a exclusão dentro da própria família. Carregam sozinhas a responsabilidade de cuidar e educar suas crianças, sem o apoio e o acolhimento de parentes e familiares próximos.

     E, nesse contexto, a criança com deficiência vai construindo sua autoimagem a partir da percepção do outro sobre ela. O acolhimento e a aceitação vão ser o combustível com o qual sua autoestima será moldada.

   “A aceitação de si mesmo faz parte do ideal, mas sem a aceitação familiar e social ela não pode amenizar as injustiças implacáveis a que grupos de identidade horizontal estão sujeitos, e não provocará uma reforma adequada”. (Andrew Solomon em “Longe da Árvore, p. 17)

   A fixação pela cura e pela normalização do sujeito, guardadas as devidas proporções, poderá resultar num transtorno ainda maior no que ser refere a formação da personalidade e a construção da identidade do sujeito com deficiência. Sobre isso Jim nos alerta:

Quebra-cabeça de Dinossauros


“A criança autista que precisa de adultos cuidadosos, pode obter um relacionamento muito significativo com essas pessoas que cuidam dela, se lhes for dada a oportunidade. Atentar continuamente para o Autismo da criança como a origem da dor é prejudicial tanto para os pais como para a criança e impede o desenvolvimento de uma aceitação e de um relacionamento autêntico entre eles. Em consideração a eles próprios ou à suas crianças, eu conclamo os pais a fazerem mudanças radicais nas suas opiniões sobre o que o Autismo significa”.

       É a humanidade que nos caracteriza (ou pelo menos deveria), assim como a diversidade. Devemos contemplar as diferenças e ver quanta beleza há naquele jeitinho especial de ser e que nos torna únicos.

Leitura e escrita - EAMAAR/AM


            Gosto muito de uma frase que diz: “Normal é ser feliz!!!  

        Um pai certa vez falou a respeito de seu filho com autismo: “Deixei de querer que ele fosse normal. Desejo, apenas, que ele seja feliz!

Hora do Jogo - EAMAAR/AM

         Quando vejo a felicidade nos olhos das crianças que atendo, vejo como são completas e inteiras. E, isso é o bastante!!!