quarta-feira, 17 de agosto de 2016

Autismo: Como direcionar as fixações para transformá-las em conteúdo de aprendizagem significativa

Temple Grandin(*)

     Atualmente eu tenho uma carreira bem sucedida projetando equipamento para gado, e devo isso ao meu professor de ciências do segundo grau. O Sr. Carlock ajudou-me a canalizar a minha fixação para me motivar a estudar psicologia e ciências. Ele também me ensinou a usar tabelas científicas.

     Este conhecimento me capacitou a descobrir o "Trofanil". Enquanto o psicólogo queria eliminar a minha máquina de compressão, o meu professor encorajou-me a ler jornais científicos para que eu pudesse entender porque a máquina tem um efeito relaxante. Quando me mudei para o Arizona para fazer a faculdade, costumava ir para os ranchos estudar as reações do gado à máquina. Este foi o início da minha carreira.

Máquina do abraço - Imagens Google
Imagens Google

     Hoje sou reconhecida como líder no meu campo de trabalho, viajo pelo mundo todo projetando equipamentos para grandes firmas de gado e já escrevi mais de 100 trabalhos científicos e técnicos nesta área (Grandin, 1984). Se o psicólogo tivesse tido sucesso em tirar de mim a minha máquina compressora, talvez agora eu estivesse sentada em algum canto apodrecendo em frente a uma TV em vez de estar escrevendo este artigo.

    Alguns dos autistas mais bem sucedidos são pessoas que, de alguma forma, conseguiram canalizar as fixações da infância transformando-as em carreiras (Bemporad, 1979; Grandin & Scariano, 1968; Kanner, 1971). Quando Kanner (1971) acompanhou e buscou saber sobre seus 11 casos originais, haviam dois que se sobressaíam e eram bem sucedidos. Um deles transformou a fixação que tinha por números em um bom trabalho em um Banco. Quando era criança um fazendeiro o contratou e encontrou um alvo para sua fixação. Ele disse que o menino poderia contar as fileiras de pés de milho se ele arasse a terra.

Imagens Google
     Muitas das minhas fixações, a princípio, estavam relacionadas aos meus sentidos. Quando eu estava na quarta série, gostava de usar certo tipo de propaganda eleitoral que era feita de duas placas de madeira presas de maneira que eu as vestia como se fosse um vestido. Na verdade, eu gostava de me sentir um sanduíche com as placas na frente e atrás. Alguns terapeutas dizem que o uso de uma veste mais pesada frequentemente reduz a hiperatividade. Mesmo que a minha atração por propagandas eleitorais tenha se iniciado por razões sensoriais, eu acabei me interessando por eleições.    

   Meus professores deviam ter tirado proveito disso para me estimular e me fazer interessada em Estudos Sociais. Calcular os pontos das eleições poderia me ajudar em Matemática. A minha leitura poderia ser motivada através da leitura das propagandas e das pessoas que estavam concorrendo aos cargos políticos. Se uma criança se interessa muito por aspiradores de pó, então use o livreto de instruções do aspirador como livro texto para essa criança. 

Imagens Google
Outra das minhas fixações eram as portas de correr de vidro. No início eu estava interessada nelas porque eu gostava da sensação de vê-las se movimentando. Um adolescente autista que tenha interesses desse tipo pode ser estimulado a aprender mais sobre ciências. Se o meu professor tivesse me desafiado a aprender os mecanismos e partes eletrônicas da porta de correr, eu provavelmente teria entrado na área de eletrônica. 

       As fixações podem ser tremendos motivadores e os professores precisam usar essa ferramenta. Quando os interesses da criança são estreitos é preciso trabalhar para aumentá-los e transformá-los em atividades construtivas. O mesmo princípio pode ser aplicado tanto em crianças com um comprometimento pequeno quanto crianças com comprometimento mais forte com o autismo. Simons e Sabine (1987) dão uma lista com muitos bons exemplos.

     É preciso diferenciar as fixações dos estereótipos do tipo bater palmas ou ficar se balançando. Fixação é um interesse em algo externo como avião, rádio ou portas de correr. A criança que fica agindo estereotipicamente por um longo período de tempo pode danificar o sistema nervoso.

Fonte: (*) Uma visão interior do Autismo - Direcionando fixações: Tradução feita por Jussara Cunha de Mello - Belo Horizonte a pedido da Associação de Pais de Portadores de Autismo e outras Síndromes - APPAS.
Obtida da INTERNET- ftp://ftp.syr.edu/information/autism/an inside_view_of_autism_txt




domingo, 6 de setembro de 2015

AUTISMO E EDUCAÇÃO: INCLUSÃO SOCIAL ATRAVÉS DA ARTE

   
Pintura de Ana Beatriz 
   Não há dúvidas da importância de proporcionar as nossas crianças a maior variedade possível de experiências, para que estas possam interagir e se expressar das mais variadas formas. Quando se trata de crianças com autismo esse trabalho torna-se de especial relevância. Foi pensando nisso que promovi para as minhas crianças com TEA uma oficina de arte. Onde estas foram estimuladas a vivenciar experiência com o uso de diferentes materiais para produzir esses quadros lindos que foram expostos no EAMAAR em Manaus. 

Usuária do EAMAAR 

    Os materiais utilizados foram: cartolina, tinta guache, escova de limpeza, escova de dente, esponjas, rolos de esponja e rolos de papel higiênico para produzir os carimbos. Todo o trabalho foi mediado, oferecendo as possibilidades e esperando o engajamento, que foi imediato. As crianças aprenderam que misturando as cores primárias obtêm-se as secundárias. E foram capazes de seguir as orientações, mas também tiveram a liberdade de fazer suas escolhas sobre o que seria produzido. Tanto que muitos desenhos retratam objetos de interesse e até as fixações.


    Brincar com tinta é uma gostosura. Alguns, inicialmente, não queriam se sujar, no entanto, foram capazes de se arriscar e se divertiram lambuzando as mãos de tinta. Depois do trabalho concluído foi perceptível o nível de satisfação com o resultado pelas próprias crianças, e seus familiares que ficaram surpresos e felizes. A exposição aconteceu na Semana Nacional da Pessoa com Deficiência, com o objetivo de promover a inclusão social de nossas crianças através da arte, dentre outros. Abaixo alguns trabalhos.



Daniel e Ana com a Pedagoga Solange idealizadora do projeto






















sexta-feira, 21 de agosto de 2015

Síndrome de Down: Ser diferente é normal




      A Síndrome de Down (SD) ou trissomia do 21 é uma condição humana geneticamente determinada, é a alteração cromossômica (cromossomopatia) mais comum em humanos e a principal causa de deficiência intelectual na população. A SD é um modo de estar no mundo que demonstra a diversidade humana. A presença do cromossomo 21 extra na constituição genética determina características físicas específicas e atraso no desenvolvimento. Sabe-se que as pessoas com SD quando atendidas e estimuladas adequadamente, têm potencial para uma vida saudável e plena inclusão social. No Brasil nasce uma criança com SD a cada 600 e 800 nascimentos, independente de etnia, gênero ou classe social. (Fonte: Diretrizes de atenção a pessoa com SD)

      
Vídeo institucional da Fundação Síndrome de Down






domingo, 2 de agosto de 2015

AUTISMO E EDUCAÇÃO: PRÁTICAS DE LEITURA E ESCRITA

    Certamente, a apropriação da leitura e da escrita é para todos um momento de grande euforia e grandes expectativas. Para alguns um processo tranquilo, para outros nem tanto.

     Além de buscar desenvolver  e estimular em nossos pequenos o hábito da leitura, especialmente como entretenimento; cabe criar um ambiente e materiais que sejam lúdicos e interessantes, de modo a promover o engajamento de nossas crianças em práticas de leitura que sejam significativas.

    Esta é a razão pela qual compartilho com vocês alguns materiais, além dos próprios livros e leituras em suas várias modalidades.

Criança acompanhando a leitura da história no áudio
Após leitura, colocando em prática a experiência do copo mágico.

Atividade com encarte de supermercado



Leitura silábica - EAMAAR

Jogos silábicos



 
Jogos de leitura em embalagem atraente

Cruzadinha

Cruzadinha com os personagens da história da Cinderela

Identificando o som inicial


Identificando o alfabeto 




domingo, 19 de julho de 2015

Autismo e Educação: Oficina de material pedagógico

   Todos sabem, e as pesquisas não mentem, quanto mais os pais forem engajados na educação de seus filhos, melhores serão os resultados. Infelizmente, não existe uma escola para preparar pais de primeira viagem. O que é lamentável.

Oficina de material pedagógico/EAMAAR 

     Nenhum pai ou mãe foi preparado para exercer essa missão. Como diz o poeta, o caminho se faz caminhando. E, assim, aos tropeços, tentando acertar, muitos pais buscam oferecer a melhor educação aos filhos.

     Em se tratando de pais de crianças com autismo, o desafio é um tanto maior, já que para crianças neurotípicas existem os modelos e uma vasta literatura. Daí a relevância de cursos, palestras e oficinas que objetivam oferecer aos pais de crianças com TEA, ferramentas tanto teóricas quanto práticas que possam auxiliá-los nesta tão desafiadora e nobre tarefa. 


Oficina de material pedagógico/EAMAAR

     Temple Grandin falou, certa vez, que crianças com autismo necessitam de pelo menos 20 horas semanais de ensino individualizado. Ela não falou 20 horas de terapias. Enfatizo isso, porque tenho visto muitos pais em busca desesperada por terapias, depositando nestas todas as sua fichas. As terapias são importantes, no entanto, a intervenção familiar orientada é fundamental e indispensável. Por um simples motivo: Com quem a criança passa a maior parte do tempo?

Oficina de Material Pedagógico/EAMAAR

    Nossa experiência vem demonstrando que pais engajados no tratamento de seus filhos, quando bem orientados, estão proporcionando às suas crianças uma evolução significativa. De nada adianta levar à terapia e não seguir as orientações dos profissionais que atendem à criança. De nada adianta levar à terapia e não participar das palestras, oficinas e encontros destinados a qualificar os pais, de modo que possam realizar intervenções que promovam o desenvolvimento de suas crianças, de forma contínua.

Oficina de material pedagógico/EAMAAR

      A criança é produto do meio, no qual  todos devem assumir a responsabilidade por sua educação e desenvolvimento, apesar das limitações que venham a apresentar, sejam de que natureza forem.

     Fico muito feliz quando escuto dos pais o relato sobre as mudanças positivas no comportamento de suas crianças. Como é bom ver o brilho em seus olhos e a certeza de que todo o investimento trará, no tempo certo, seus frutos. 

Oficina de Material Pedagógico/EAMAAR

    Muitas vezes é difícil como terapeuta, lidar com a ansiedade e angústia dos pais. Isto certamente não repercute bem junto às crianças. Precisamos de pais mais relaxados e tranquilos. Não podemos precisar o tempo em que os objetivo serão alcançados. Precisamos somente, continuar o nosso trabalho e persistir, com leveza e alegria. É disso que nossas crianças com TEA necessitam: LEVEZA e ALEGRIA.

Palestra: Autismo e Educação no Colégio La Salle/Manaus


terça-feira, 14 de julho de 2015

TERAPIA ASSISTIDA COM ANIMAIS (TAA)

Fonte: http://peloproximo.blogspot.com.br/
      Certamente, o registro mais antigo que se tem sobre terapias realizadas com animais data de 400 a.C. quando Hipócrates, médico grego, considerado pai da medicina, acreditava que cavalgar trazia benefícios neurológicos. Hoje sabemos que o movimento do cavalo que se assemelha ao caminhar humano estimula o desenvolvimento motor de quem cavalga.

     Em 1792, a terapia assistida com animais é utilizada num hospital psiquiátrico na Inglaterra, no tratamento de pacientes com transtornos mentais. A partir do século 20, aprofundam-se as pesquisas e aumenta o interesse sobre o assunto em razão da maior importância dada aos aspectos psicológicos e sociais das enfermidades, considerando-se fatores externos e internos, assim como a condição de vida para o bem-estar dos indivíduos.

Fonte: psicologiaacessível.net

     No Brasil a pioneira foi a psiquiatra Junguiana Nise da Silveira  que utilizou a TAA (terapia assistida com animais) em pacientes com esquizofrenia, no Rio de Janeiro, após perceber em seus pacientes uma vinculação positiva e espontânea com os animais. Nise considerava os cães co-terapeutas não invasivos, por serem “um ponto de referência estável no mundo externo”. 

    O psicólogo Boris Levinson, na década de 60, realizou estudos sobre o assunto e aplicou em seu consultório a pet terapia, constatando melhora no desenvolvimento das crianças após a intervenção com o animal de estimação.

     A TAA tem sido eficaz para diferentes deficiências e problemas de desenvolvimento, como paralisia cerebral, desordens neurológicas, ortopédicas e posturais; comprometimentos mentais como Síndrome de Down, ou sociais, como os distúrbios de comportamento: autismo, esquizofrenia e psicoses; comprometimentos emocionais, deficiência visual e/ou auditiva, distúrbio de atenção, de aprendizagem, de percepção, de comunicação e de linguagem, de hiperatividade, além de problemas com insônia e estresse. (DOTTI, 2005)

Fonte: Patas Therapeutas

     
       A terapia assistida com animais vem comprovando sua importância e eficácia na melhoria da saúde física, psicológica, emocional, coordenação motora, atenção e memória dos assistidos, além de melhora nos batimentos cardíacos, pressão arterial e liberação dos hormônios relacionados ao prazer e bem-estar.






            
    Para saber mais:
 Tese de mestrado: "Terapia assistida por animais(TAA) e Deficiência mental: Análise do         desenvolvimento psicomotor"  thttp://livros01.livrosgratis.com.br/cp144972.pdf
   Dotti, J. (2005). Terapia & Animais. São Paulo: PC Editorial.